terça-feira, 18 de julho de 2017

Parar para me escutar antes de abrir a boca

Foto Steve Halama
Quantas vezes temos atitudes impulsivas de que mais tarde nos arrependemos?
Quantas vezes deitamos cá para fora lixo emocional, dizemos ou fazemos coisas inapropriadas num momento?

Quando reagimos, o que nos incomoda não será o que alguém disse ou o seu comportamento. Terá a ver com o significado que atribuímos ao que presenciamos. Não é errado. E há consequências. 
Acredito que somos seres em aprendizagem e, estes comportamentos impulsivos são úteis para que possamos tornar-nos conscientes de nós, do sistema de crenças que aprendemos em sociedade e com a familia onde crescemos, onde somos formatados para pensar de uma determinada maneira; 
Ao tornarmo-nos conscientes destes nossos comportamentos, podermos dar conta do efeito que esta formatação tem em nós, nas nossas relações, na vida que levamos. Pela minha experiência pessoal, observo que nos libertamos da formatação, com o poder de questionar os conceitos que temos. Para isso, há que ficar quieto para podermos escutar e sentir o que vem de dentro.

Muitos destes aspetos que cada um terá no subconsciente,  tomam conta dos comportamentos impulsivos, serão aspetos do nosso passado a vir ao de cima. Recalcamentos, frustrações, dores, culpas, vergonhas, medos.

Tudo o que temos na Sombra por tornar consciente, por investigar, por sarar, virá ao de cima, cada vez que alguém à nossa volta tem um determinado comportamento. Vivemos a reagir no Presente com assuntos do Passado.

Estes aspetos serão como botões ativos que temos no corpo, com luz acesa. À nossa volta, os outros irão carregar nesses botões, sem eles próprios estarem conscientes deste processo que é em si mesmo inconsciente.

Temos aqui uma grande oportunidade de olhar para nós e sarar feridas antigas; de regressarmos a quem somos de verdade, seres humanos completos e equilibrados.

À medida que vamos mergulhando e atravessando o nosso deserto interior, o que nos incomodava antes na atitude de outros, deixa de nos incomodar. 

Afinal, o que incomodava estava cá dentro e não fora de nós.

Significa que nos tornamos frios e insensíveis? Bem, isso já somos. Só não queremos admitir. 
Pondere um pouco: em que situação seria útil para si ser ''frio e insensivel''? Em que situação se deixou prejudicar por não querer ser visto como frio e insensivel? O que fez? Em que situação deixou de ser quem é por causa deste medo do que possam pensar de si?

Estes aspetos são-nos úteis em alguns momentos.
Será que um cirurgião conseguiria abrir o corpo humano e operar, sem uma dose de ''frieza e insensibilidade''? Não me parece. 

Quando nos permitimos não ter uma reação imediata a algo que alguém diz ou faz que nos incomoda, deixando um espaço de tempo,  podemos ter acesso às maravilhas que o Universo/Deus tem para nos oferecer.

Naquele momento, antes de fazer ou dizer qualquer coisa, podemos tomar consciência de reações que repetimos e dos efeitos que têm em nós e nas nossas relações, naquilo que pensamos no momento, no que sentimos; permite-nos escutar, questionar conceitos que vêm connosco do passado e nem são nossos, permite-nos tomar opções conscientes e saudáveis. 

Tornar-me consciente de mim não serve para me criticar, censurar ou diminuir.  Há a possibilidade de me libertar, de me abandonar menos vezes e de estabelecer uma relação de amizade comigo e com a vida. 
E nada me obriga a conviver com quem não quero conviver. Tenho sempre opção.

Optar por refletir antes de abrir a boca não faz de nós seres passivos ou resignados. Antes pelo contrário, coloca-nos em ação criativa ( em vez de reação destrutiva). 

Ficar quieto e calado antes de dizer ou fazer alguma coisa, permite não descarregar em cima de outros as nossas frustrações, angustias, medos, dores.
Dá-nos ao mesmo tempo, oportunidades de diamante e um convite para voltarmos a atenção para nós, à descoberta de lições preciosas que trarão a cura das feridas do passado.

Não iremos transformarmo-nos em pessoas ''boazinhas''. Ser bondoso é diferente de ''ser bonzinho''.
V
amos antes assumirmo-nos como seres completos e, só assim ficaremos equilibrados interiormente, para viver a vida com menos dramas, muito mais próximos do nosso EU-Verdadeiro - a Essência da Alma.

Boas reflexões!

©2017- A Sombra Humana, Ângela Antunes | abracarasombra@gmail.com
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