quinta-feira, 13 de março de 2014

Eu posso sentir a tua dor



Alguma vez se aproximou de alguém a passar por um momento de dor e, querendo ser solidário, se deixou envolver pela dor? E acreditou que ''sentir a dor do outro é ser solidário e amigo e que isso pode ajudar o outro?

Peço-lhe que páre um pouco e reflita nisto.

Será possivel sentir a dor de outra pessoa?
Será mesmo mesmo possivel sentir a dor de outra pessoa?

Lá bem no funco de si, há uma parte sua que ''sabe'' a verdade.
Sinta a pergunta no corpo.
E não tenha pressa em conhecer a resposta.

Será que está dentro do corpo da outra pessoa?
Dentro da pele da outra pessoa?
Na mente da outra pessoa?
Dentro do coração da outra pessoa? Dos pulmões da outra pessoa?

Será mesmo mesmo possivel sentir a dor de alguém ?

Aprendemos em pequenos os conceitos com que hoje interpretamos a vida. Muitos deles trazem-nos dor, sofrimento, mal-estar e nunca parámos para investigar a sua veracidade.

Talvez pôr em causa os conceitos aprendidos, traga a sensação de estar a ''trair'' quem nos ensinou, quando quem nos ensinou foi alguém de quem gostávamos  e tinhamos como uma referência. Como podemos pôr em causa o que nos ensinaram essas pessoas?

Não se trata disso.
Da minha observação quotidiana, reparo que os seres humanos ensinam o que aprendem.
Acham que o que aprendem é tudo quanto existe.
Hoje, temos novas capacidades como por exemplo, a de questionar pensamentos e de escutar respostas vindas da nossa Essência (não da lógica).

Pôr em causa conceitos, permite que novas possibilidades venham ter connosco. Não põe em causa o nosso amor pelas pessoas com quem aprendemos.
O que era verdadeiro para uns, não tem de ser verdadeiro para outros.

Quando nos mantemos agarrados à maneira de ver as coisas ''porque foi isto que aprendi'' e parece que põe em causa  ''quem eu penso que sou'', a vida não poderá  trazer-nos coisas novas. Novas possibilidades, novas soluções.

Então, se não é possivel sentir a dor do outro, o que estará a acontecer aqui ?
Quando vejo alguém em sofrimento e eu sinto sofrimento, dentro de mim terá despertado a memória de alguma situação que vivi no passado, muito provavelmente na infância e adolescência (as fases mais fortes da formação do que temos na Sombra), que me causou dor e com a qual ainda não estou em paz.

Não sinto a dor do outro. Sinto a minha. É uma sensação que está dentro do meu corpo. Não está fora. E estou também a  projetar a minha dor no outro. Passam a ser dois em sofrimento. Fica um ambiente muito pesado e dorido onde não se vislumbra paz.

O que poderá ajudar alguém em sofrimento?

Juntar o meu sofrimento ao dessa pessoa?
Ou estar presente, em paz, a escutar o outro, com compaixão (não é o mesmo que sentir pena),sem dar conselhos, sem querer resolver a situação da pessoa, apenas perguntando-lhe ''posso ajudar?''.
E então ajudar apenas conforme o que me disser.

Muitas vezes, ficarmos em silêncio, pode ser o que a outra pessoa realmente precisa.

Se a resposta for ''não, não quero ajuda'', aquele ser humano revela amor por si e um ''saber'', provavelmente  inconsciente de que possui capacidade para lidar com a situação e com o que sente.

Ou então quando me diz ''quero estar só''.
Muitos de nós não sabem lidar com o ''estar só'' para processar o que sente e então insistimos em fazer algo. A pessoa já nos disse ''quero estar só'' e nós não ouvimos.
E não há um ''porque''...

Pela minha experiência, é no ''estar só'' em determinados momentos que me encontro com Deus. Que processo a dor e a aprendizagem. E do contacto com a minha Essência (o Espírito Divino dentro de mim) surge-me paz. Com a minha Essência fico em boa companhia.

Fomos ensinados que ''temos de fazer alguma coisa para ajudar'' e muitas vezes desajudamos  e tornamo-nos ''chatos'' ao ''querer ajudar quando não querem a nossa ajuda''. E nós insistimos.

E queremos ajudar, quando nos sentimos impotentes para lidar com a situação, com a dor. Com a nossa dor.

Já ouvi pessoas dizer ''a pessoa precisa de ajuda mas tem vergonha de pedir e não pede''.
Pode ser.
Talvez o seu grande desafio seja mesmo o de aprender a pedir o que precisa.
E há exceções em tudo.

Ninguém nos ensinou que a dor faz parte do nosso amadurecimento como seres humanos, neste planeta.
Dizem-nos que é preciso eliminar a dor.

A dor é como um Portal para um Universo desconhecido.

Existe prazer e existe dor. Um não existe sem o outro, nesta vida terrena. Acredito eu. Nada dura para sempre.

Quando é que será possivel estar em paz perante alguém que sofre, quando a maioria não consegue isso?
Pela minha experiência, constatei que quando temos as feridas do passado saradas ou quando muitas já estão saradas e outras em processo de sarar.
Quando descobri um novo olhar sobre tudo o quanto vivi e esse novo olhar trouxe-me a sensação de bem-estar interior.

A paz das feridas saradas, no nosso interior, projeta-se para outras pessoas, que poderão captá-la, senti-la e beneficiar dessa nossa paz interior genuina e assim receberem a ajuda que necessitam.

Também na minha experiência, num momento de paz, qualquer que seja a situação, poderá surgir uma clareza mental e a descoberta de uma informação útil que nos diz qual o passo seguinte.

Eu não posso sentir a tua dor. 
Eu posso sentir apenas a minha dor.
Os meus pensamentos causam-me dor. E que pensamentos serão esses?

A dor quer ser sentida, sem fuga da sensação!
A dor pode trazer-nos a revelação de uma lição.

A dor pode transformar-se num estado de Graça da lição aprendida!

Ou no oposto!
Temos opção.
Qualquer das opções é válida.
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Ângela Antunes
Facilitadora d'O Processo d' A Sombra Humana
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